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Critérios de ediçãoCriterios de ediciónEditorial criteria

At this moment, a comprehensive version of the edition criteria is only available in Portuguese Neste momento, a versión completa dos criterios de edición só está dispoñíbel en portugués

Protocolo de marcação

A presente edição segue as diretrizes estabelecidas pela Text Encoding Initiative, beneficiando não só das vantagens que oferece a utilização deste projeto tão consolidado no que respeita à importação e intercâmbio de informação, mas também tiramos proveito da transferência tecnológica de uma iniciativa com mais de trinta anos de história. Concretamente para o nosso projeto utilizou-se a versão P5.

Níveis de transcrição

Através da marcação vão-se introduzindo no texto diferentes camadas de informação. Isto significa que podemos incorporar dados de carácter analítico ou interpretativo sem alterar o conteúdo original da transcrição.

Uma estratégia de codificação habitual nas edições digitais é a de desenhar uma etiquetagem em que se representam diferentes estágios de intervenção editorial. Isto torna possível o acesso ao texto através de diferentes graus de interpretação que funcionam como filtros entre o leitor/a, a mediação do editor/a e o texto. Além do mais, os principais conteúdos interpretativos e analíticos são recolhidos na marcação, pelo que o texto transcrito mais neutro segue a estar disponível.

Além do mais, a flexibilidade do sistema de codificação em XML favorece que se vá fazendo atualizações contínuas das análises à medida que estas se tornam mais refinadas com o aumento do corpus analisado.

Primeiro nível de transcriçãoPrimeiro nivel de transcriciónFirst level of transcription

Regularização de grafiasRegularización de grafíasGraphic regularizations

Embora o principal objetivo desta investigação tenha a ver com a variação de tipo linguístico, não se pode obviar toda a informação que uma edição sinóptica traz ao estudo grafemático.

A informação mais relevante extraída de um estudo contrastivo recai na constatação da existência de diferentes normas de ordem interna dentro do manuscrito aos quais se associam certas grafias a usos determinados. Portanto, a questão gráfica pode ser simplificada sem perder dados pertinentes e é por esta razão que decidimos neutralizar os alógrafos. Além do mais, este critério permite-nos reduzir o conceito de variante gráfica, evitando assim um pesado e ineficiente inventário de diferenças gráficas que não têm repercussões fonéticas. A motivação destas regularizações não parte da noção de considerá-las uma questão menor, pois poder-se-ia estar a neutralizar algum elemento determinante para a identificação dos copistas. Porém, este tipo de regularizações não afeta os conteúdos de relevância linguística, sendo esse o objeto de estudo.

No entanto, o facto de não descermos ao nível da alografia não implica a anulação das particularidades de cada testemunho (nem as dos seus copistas). Se é certo que se poderia considerar que os caracteres ‹i› e ‹j› são meros alógrafos, sendo intermutáveis na representação do mesmo som (Rodríguez Guerra & Varela Barreiro 2007: 478), manter-se-á esta distinção, pois a preferência de umas grafias sobre outras é uma das propriedades que uma edição sinóptica permite analisar sistematicamente, contribuindo na identificação de um copista ou de um scriptorium. Além do mais, a conservação da distinção entre ‹i› e ‹j›, assim como no caso de ‹u/v›, acarreta um interesse especial para dar conta da progressiva consolidação grafemática da distribuição vogal/consoante (Sánchez Prieto-Borja 1998: 97).

Na Tabela 1 apresentam-se todas as simplificações gráficas que foram realizadas, indicando os alógrafos neutralizados juntamente com a solução adotada.

Tab. 1: Neutralização de alógrafosNeutralización de alógrafosAllograph neutralization
A B V
AlógrafosAllographs GrafiaGrafíaGrapheme AlógrafosAllographs GrafiaGrafíaGrapheme AlógrafosAllographs GrafiaGrafíaGrapheme
d d d
s s s
r r ss
y y i
z z
a
m
n

Além das regularizações acima assinaladas, as plicas vocálicas não foram transcritas. Estudiosos como Sánchez Prieto-Borja (1998: 98) advertem de que a acentuação nos textos medievais apenas tem uma função diacrítica e, apesar do inegável interesse de um estudo sistemático do seu uso, a sua análise escaparia aos principais objetivos deste trabalho por não ter uma repercussão direta na própria variação [veja-se o estudo sobre A realizado por Fernández Guiadanes (2011)]. Além disso, se realizássemos essa análise, como a sua presença acontece somente num dos testemunhos, isso acrescentaria numerosas variantes gráficas de limitado interesse. Outro factor que influiu na tomada desta decisão é a limitação provocada por não trabalharmos sobre os manuscritos originais, porque de facto é difícil assegurar, em múltiplas ocasiões, quando se trata de uma verdadeira plica ou não, por exemplo, dum arrasto da pena (veja-se Pichel Gotérrez 2012).

AbreviaturasAbbreviations

A codificação das abreviaturas realizou-se em duas fases.

Na primeira fase, marcaram-se todos os sinais de abreviação detetados com o elemento <am> (marca de abreviação). Para a codificação destes signos procurámos o seu correlato em Unicode com a ajuda da documentação criada pelo projeto Medieval Unicode Font Initiative (MUFI) a qual foi especialmente útil para procurar, de uma maneira simples, a forma de reproduzir determinadas abreviaturas.

Utiliza-se o mácron em combinação (código U+0304) para representar o signo geral de abreviação (lineta). Na transcrição do Cancioneiro da Ajuda respeitou-se com fidelidade a colocação do signo abreviativo. Pela contra, nos apógrafos italianos, tendo em consideração a grande diferença entre as práticas escriturais medievais e renascentistas, decidiu-se situar o signo sobre os caracteres afetados pela abreviatura, interpretando que a deslocação do signo responde à cursividade da escrita chanceleresca [veja-se a lei da cursividade em Sánchez Prieto-Borja (1998: 94)].

Tab. 2: Exemplo de transcrição da linetaExemplo de transcrición da linetaTranscription of the macron
ExemploExample ManuscritoManuscript TranscriçãoTranscriciónTranscription
A sēnor
A nō
B bōa
B nō
V sō
V sē

A segunda fase relativa à codificação das abreviaturas é apresentada na secção Abreviaturas.

PontuaçãoPuntuaciónPunctuation

Os testemunhos estudados apresentam marcas con valores difíciles de establecer en moitos casos (Fernández Guiadanes & Pérez Barcala 2009: 196).

Omitiram-se os pontos identificadores de final de verso (Ramos 2005) e as marcas gráficas utilizadas para identificar o refrão assim como os signos que avisam da localização em que este refrão dever ser repetido. Contudo, por serem pertinentes, os signos de pontuação serão comentados sistematicamente nas anotações que se realizem em cada cantiga, enquanto respondem a práticas escriturais concretas que podem revestir grande interesse para a identificação do scriptorium implicado.

Transcrevem-se todos os signos de pontuação no interior de verso e aqueles que indicam a abreviação de palavras por truncamento (siglas). Pegando nas funções propostas por Montoya Martínez (2000), a presente edição mantém aqueles signos de pontuação que estão a delimitar os hemistíquios, assim como aqueles que determinam a separação de vários membros duma cláusula, muito mais habituais quando vão precedidos de uma conjunção.

Omitíronse os puntos que identifican o final de verso e as marcas gráficas utilizadas para identificar o refrán así como os signos que avisan da localización en que este refrán debe ser repetido.Punctuation marks that indicate which lines are part of the chorus and where they should be repeated were not transcribed.

Transcríbense todos os signos de puntuación no interior de verso e aqueles que indican a abreviación de palabras por truncamento (siglas)All punctuation marks inside the line and those that indicate that a truncation has occurred are transcribed.

Maiúsculas e minúsculasCapitals and lower case letters

No Cancioneiro da Ajuda, o início de cada composição assinala-se com uma letra maiúscula e o princípio de cada cobra, assim como o do refrão e da finda, indica-se com uma inicial de menor tamanho. Também no Cancioneiro da Biblioteca Nacional, dependendo do copista, se detetam iniciais mais elaboradas do que as maiúsculas habituais (veja-se Fernández Guiadanes 2012). Nesta edição as letras maiúsculas foram marcadas com o elemento <hi> (destaque). Porém, não se complementa esta marcação com qualquer descrição da inicial, pois carece de relevância para um estudo deste tipo.

Como critério geral, conserva-se a distribuição de maiúsculas e minúsculas presente nos testemunhos com as seguintes considerações:Como criterio xeral, consérvase a distribución de maiúsculas e minúsculas presente nos testemuños coas seguintes consideracións:As a general criterion, the original distribution of upper and lower case letters is preserved taking into account the following:

No que se refere às letras de espera, utiliza-se o elemento <hi> para diferencia-las. No entanto, esta etiqueta vai acompanhada de um atributo @rend (apresentação) que permite especificar que estamos perante uma letra guia e não perante uma inicial decorada que também se marcava com o elemento <hi>.

DecoraçãoDecoraciónDecoration

Pondo as iniciais adornadas de lado, os apógrafos italianos carecem de decoração, mas o Cancioneiro da Ajuda previa o espaço para vinte e oito miniaturas. Destas, apenas dezasseis foram elaboradas e nenhuma delas foi colorida por completo.

Esta edição não recolhe qualquer informação relativa à decoração, mas não se descarta a sua introdução em fases posteriores de melhoria e ampliação do corpusEsta edición non recolle información relativa á decoración, mais non se descarta a súa introdución en fases posteriores de mellora e ampliación do corpusThis edition does not include any information regarding the decoration of the witnesses.

OmissõesOmisiónsGaps

As omissões no manuscrito assinalaram-se nos ficheiros fonte com a utilização da etiqueta <gap> (lacuna) incluindo um atributo através do qual se informa das razões que justificam a omissão (@reason). Veja-se a Tabela 3 em que se apresentam alguns exemplos.

Esta marcação permite diferenciar entre as omissões que denotam um problema na transmissão e as lacunas condicionadas pelo estado de conservação do suporte. A maior parte das omissões do primeiro grupo devem-se a erros de cópia, mas também devemos incluir o escriba como agente motivador das lacunas que denominamos por economia, geralmente, a omissão completa ou parcial dos versos que se repetem numa composição. O segundo grupo abrange os danos físicos dos testemunhos, assim como as ausências provocadas pela condição de inacabado do Cancioneiro da Ajuda.

Os espaços deixados em branco neste cancioneiro para as iniciais iluminadas que não chegaram a realizar-se foram etiquetados como omissões causadas pelo estado incompleto do testemunho. Porém, se a letra de espera é legível, esta foi introduzida na transcrição, mas corretamente identificada como tal. Se houver espaços entre palavras claramente superiores à meia também foram etiquetados, estimando o número de caracteres que caberiam no espaço adicional.

Em linhas gerais, os critérios desta edição procuram representar fielmente os testemunhos, limitando, na medida do possível, a intervenção editorial a respeito do conteúdo dos mesmos. É por isso que não se realizaram interpretações caso haja uma deterioração no material que não permita a sua leitura ou caso encontremos uma passagem difícil de interpretação por falta de legibilidade. Nestes casos o valor do atributo @reason especifica que a ilegibilidade é a causa da omissão. Para os casos intermédios, em que a leitura seja difícil mas sobre a que existe um grau de certeza muito alto a respeito da sua interpretação, encerramos a nossa conjetura entre a etiqueta <unclear>.

Tab. 3: Exemplo de marcação de omissõesExemplo de marcación de omissiónsMark-up example of gaps
ExemploExample ManuscritoManuscript MarcaçãoMarcaciónMark-up
A <gap reason="unfinished" quantity="1" unit="char"/> <hi rend="guideLetter">P</hi>or
B sen <gap reason="unknown" quantity="2" unit="char"/> o a

Correções no originalCorreccións no orixinalScribal corrections

Transcrevem-se as formas que foram anuladas no original durante o processo de correção do texto utilizando o elemento <del> (cancelamento). Além de incluir os elementos cancelados, informa-se do método que se utilizou para apagar os caracteres afetados:Tránscríbense as formas que foron anuladas no orixinal durante o proceso de corrección do texto utilizando o elemento <del> (cancelamento). Alén de incluír os elementos cancelados, infórmase do método que se utilizou para apagar os caracteres afectados:Letters deleted in the original witnesses were transcribed using the element <del> with attributes that described the cancelation method:

Recorre-se a um método semelhante para introduzir os acréscimos (ver Tabela 4). Estes são identificadas com a etiqueta <add> (adição) e dentro deste elemento incorpora-se também informação relativa à localização destes acréscimosRecórrese a un método semellante para introducir os acrécimos (ver Tabela 4). Identifícanse coa etiqueta <add> (adición) e dentro deste elemento tamén se incorpora información relativa á localización dos caracteres engadidosAdditions are transcribed within the element <add> and a attribute supplies the information concerning the location of the added characters (@place):

Caso haja um cancelamento e um acréscimo que sejam considerados parte da mesma intervenção, utilizamos a etiqueta <subst> (substituição) para delimitar a correção, incluindo dentro dela o elemento <del> e <add> que corresponder.

Tab. 4: Exemplo de marcação de correçõesExemplo de marcación de correcciónsMark-up example of corrections
ExemploExample ManuscritoManuscript MarcaçãoMarcaciónMark-up
A <del rend="underdot">s</del>ei
A <del rend="underdot strikethrough" >cuidar</del>
A en <del rend="scrape"><gap reason="correction" quantity="8" unit="char"/></del> sabor
A ben <add place="inline">sey</add> ca
V <subst><del rend="strikethrough">g</del><add place="above">c</add></subst>eguey

Elementos paratextuaisParatextual elements

Algumas das composições do corpus lírico profano estão acompanhadas de determinados elementos paratextuais de diversa índole.

No Cancioneiro da Ajuda podemos encontrar comentários marginais que consistem em brevíssimas apreciações qualitativas (do tipo boa ou muito boa). Tendo em conta as características da letra, deve tratar-se de um leitor do século XV que deixa um total de dezassete anotações de este tipo (Pedro Pedro 2004).

Nos apógrafos italianos abundam os elementos paratextuais. Juntamente com a presença de rúbricas atributivas e explicativas (ausentes em A), estes códices apresentam os comentários filológicos do humanista Angelo Colocci.

Devido ao facto de os elementos paratextuais mencionados serem específicos de cada rama da tradição manuscrita, não foram transcritos ao não haver entre eles conteúdo textual comum, sendo, por outra parte, marginais em qualquer edição crítica.No corpus obxecto de estudo, os elementos paratextuais son específicos de cada rama da tradición manuscrita, por iso non forom transcritos ao non haber entre eles contido textual común.In the Galician-Portuguese corpus, the paratextual elements are specific to each branch of the manuscript tradition. Therefore, they were not included in this synoptic edition since there isn’t common text between them.

Segundo nível: camada analíticaSegundo nivel: capa analíticaSecond level: analytic layer

Separação e união de palavrasSeparación e unión de palabrasWord segmentation

Para facilitar o contraste das formas enviadas por cada um dos testemunhos, aglutinaram-se ou deglutinaram-se os elementos segundo conformavam unidades lexicais, tentando conservar as convenções ortográficas que respondem a usos antigos específicos, como por exemplo toda via, des i ou por en e tentando manter a coerência linguística (veja-se Para facilitar o contraste das formas enviadas por cada un dos testemuños, aglutináronse ou deglutináronse os elementos segundo conformabam unidades lexicais, tentando conservar as convencións ortográficas que responden a usos antigos específicos, como por exemplo toda via, des i ou por en e tentando manter a coherencia lingüística (véxase To ease the comparison between the forms transmited in each manuscript, strings were joined or deglutinated according to word segmentation. Contemporary orthographic conventions were preserved and there was a conscious effort to keep the linguistic coherence (see Ferreiro 2012a, 2014a, c).

Respeitar a união ou separação dos elementos presentes no testemunho acrescenta informação valiosa no que diz respeito à conciencia filológica (Sánchez Prieto-Borja 1998: 99) dos copistas no que se refere à sua conceção de palavra. Por exemplo, desde o ponto de vista linguístico, este respeito pela disposição do texto no manuscrito permite advertir do processo de gramaticalização de determinados sintagmas. Porém, manter a disposição original dificultaria extremadamente o cotejo das formas, já que mesmo utilizando critérios intermédios, como o uso do traço que propõe Roudil (1986), esta opção precisaria duma marcação mais complexa que oferecesse simultaneamente a distribuição das formas tal como aparecem no testemunho juntamente com a sua separação/união. Portanto, acrescentamos ou apagamos espaços em branco na transcrição onde for oportuno, sem marcar estas intervenções devido ao pouco interesse que traz para este estudo.

Contudo esta simplificação, apesar de facilitar a collatio das formas, gera certos conflitos no momento de conjugar a fidelidade aos testemunhos com critérios que permitam um cotejo de formas regular e sistemático. Nomeadamente, as convenções que poderiam resultar mais intrusivas afetavam os pronomes enclíticos, as formas alomorfas do artigo e as duplicações consonânticas que de um contexto intervocálico passavam a uma posição inicial. Nestes casos, decidimos codificar simultaneamente uma transcrição conservadora do manuscrito juntamente com uma versão regularizada (ver a Tabela 5). A utilização deste critério faz com que possamos extrair ambas as estruturas para as nossas análises e que seja o leitor quem possa escolher que versão quer visualizar no seu ecrã.Se ben esta intervención facilita a collatio das formas, xera certos conflitos no momento de conxugar a fidelidade aos testemuños con criterios que permitan um cotexo de formas regular e sistemático. Nomeadamente, as convencións que poderían resultar máis intrusivas afectaban aos pronomes enclíticos, ás formas alomorfas do artigo e ás duplicacións consonánticas que dun contexto intervocálico pasaban a unha posición inicial. Nestes casos, decidíuse codificar simultaneamente unha transcrición conservadora do manuscrito xuntamente cunha versión regularizada (ver a Táboa 5).Although this criterion aides the collatio, it creates certain conflicts regardin the balance between faithfully preserving the witnesses readings and easing their systematic comparison. The cases in which the segmentation into words was very intrussive affected the enclitic pronouns, the allomorphic forms of the article and the duplicated consonants that would go from a intervocalic position to a initial one. In these cases, the simultatenous encoding of a conservative criterion and a regularized version was preferred (see Table 5).

Tab. 5: Exemplos de codificação simultânea usando o elemento <choice>Exemplos de codificación simultánea usando o elemento <choice>Mark-up examples of simultaneous encoding using <choice>
ExemploExample ManuscritoManuscript MarcaçãoMarcaciónMark-up
A <choice> <orig>auolo</orig> <reg>a uo-lo</reg> </choice>
B <choice> <orig>Esseedora</orig> <reg>E seed<supplied>e</supplied> ora</reg> </choice>
B <choice> <orig>Leixeilha teira</orig> <reg>Leixei-lh<supplied>e</supplied> a te<sic>i</sic>ra</reg> </choice>
V <choice> <orig>Auenturey me</orig> <reg>Auenturey-me</reg> </choice>

Para facilitar o contraste de formas e reconhecer mais facilmente os elementos lexicais, incluiu-se o elemento <supplied> (acréscimo editorial) nos casos de elisões vocálicas por crase para fornecer o contexto vocálico omitido. Nos ficheiros XML acrescenta-se a vogal correspondente dentro do elemento <supplied>, mas na edição digital estes acréscimos nunca são visíveis. Porém, a presença deste elemento facilita uma futura lematização automática do corpus.

AbreviaturasAbbreviations

Como se comentou previamente, a marcação das abreviaturas realizou-se em dois momentos. Depois de ter marcado todos os sinais de abreviação detetados passou-se à sua análise e desenvolvimento. Considerou-se que o desenvolvimento de abreviaturas facilitaria o contraste de formas e ajudaria a automatizar uma futura lematização do corpus trabalhado.

Graças à flexibilidade que permite o sistema de marcação aplicado nesta edição, codifica-se simultaneamente a palavra com os seus correspondentes signos de abreviação e a sua expansão. Desta maneira podemos incluir na edição tanto a abreviatura como o seu desenvolvimento, além de poder fazer uma distinção na maneira de abreviar como a que apresentamos na Tabela 6. É certo que neste caso concreto a definição do signo de abreviação só pode ler-se como deus, e que não apresenta qualquer relevância desde o ponto de vista linguístico, mas outros casos (como aqueles relativos as sequências por/par/per) são mais importantes.

Tab. 6: Exemplo de marcação de abreviaturasExemplo de marcación de abreviaturas Mark-up examples of abbreviations
FacsímileFacsimile Ms. InterpretaçãoInterpretaciónMeaning MarcaçãoMarcaciónMark-up
B deus <choice> <abbr>d͛s</abbr> <expan>d<ex>eu</ex>s</expan> </choice>
B deus <choice> <abbr>d</abbr> <expan>d<ex>eu</ex>s</expan> </choice>

Como se pode observar na Tabela 6, por cada instância de uma abreviatura introduz-se o elemento <choice> para codificar conjuntamente a palavra abreviada (<abbr>) e a expansão desta dentro do elemento <expan>, o qual inclui, pela sua parte, os caracteres acrescentados como resultado do desenvolvimento da abreviatura (<ex>). Esta dupla marcação permite aceder de maneira simultânea à abreviatura e à sua expansão: num estudo de corte linguístico deve ficar sempre patente que parte do texto editado se encontrava realmente no testemunho e que parte é produto da intervenção do editor, especialmente porque as correspondências podem ser ambíguas em determinados contextos –contudo na tradição objeto de estudo estes casos são os menos frequentes.Como se pode observar na Tabela 6, por cada instancia dunha abreviatura introdúcese o elemento <choice> para codificar conxuntamente a palabra abreviada (<abbr>) e a expansión desta dentro do elemento <expan>, o que inclúe, pola súa parte, os caracteres engadidos como resultado do desenvolvemento da abreviaturaAs shown in Table 6, there is a <choice> element for each abbreviation to encode, at the same time, both the abbreviated word (<abbr>) and its expansion inside the element <expan>, which includes the added characters (<ex>)

Devido às características desta edição, considera-se que é necessário oferecer um inventário com uma categorização destas convenções gráficas, exemplificando de modo conveniente e indicando o manuscrito em que são utilizadas (vejam-se as Tabelas 7, 8, 9 e 10). Note-se que entre os signos de abreviatura também existem alógrafos e variantes morfológicas, mas para estes quadros escolheu-se unicamente um exemplo grafemático por testemunho. Para a categorização das abreviaturas seguimos Capelli (1995: XIII-XLI), mas há que entender esta classificação como uma sucessão de categorias entre as quais existem solapamentos.

A distância cronológica entre o códice de Ajuda e a rama italiana da tradição forçaria a realizar duas classificações diferentes das abreviaturas. No entanto, com o fim de facilitar a categorização, apresenta-se uma única classificação. Isto significa que alguns dos exemplos não encaixam perfeitamente quando nos referimos aos apógrafos italianos. Por exemplo, incluiu-se o ‹› supralinear (‹r› rotunda) sob a classificação de letras superpostas embora em B e V as variantes desta letra cheguem a parecer um ‹z›, pelo que é duvidoso que tivessem consciência da semântica do carácter. De uma forma semelhante, o ‹a› precarolino aberto por cima, ‹ ›, encontra-se nesta mesma tabela de abreviaturas por superposição de letras, apesar de no sistema gráfico quinhentista não existir a correspondência dessa grafia com um ‹a›, pelo que seria mais correto falarmos de abreviaturas com significado relativo do que classificá-la como uma abreviatura de letras sobrescritas (Pedro 2017).

Note-se que, nos exemplos apresentados nas seguintes tabelas, as abreviaturas supralineares e as letras sobrepostas incluem uma letra adicional na reprodução fac-similar para poder contextualizar com maior claridade a sua posição no vocábulo. Essa letra é incluída também na interpretação, mas deve entender-se que o significado da abreviatura se manteria noutros contextos.

Véxanse as Táboas 7, 8, 9 e 10 para unha clasificación das abreviaturas con exemplos da súa codificación.See Tables 7, 8, 9 and 10 for a classification of the abbreviations with encoding examples.

Tab. 7: Abreviaturas por contraçãocontracciónAbbreviations by contraction
AbreviaturaAbbreviation Manuscrito(s)Manuscript(s) InterpretaçãoInterpretación e exemplosMeaning and examples
A d’s > deus
B ds̄ > deus
B d͛s > deus
V d̄s > deus
A, B nr̅o > nostro
Tab. 8: Abreviaturas comn significado relativoAbbreviations with relative meaning
AbreviaturaAbbreviation Manuscrito(s)Manuscript(s) InterpretaçãoInterpretación e exemplosMeaning and examples
A, B, V > que
A, B, V > per
A, B, V > pro
A, B, V > ser
B, V ꝙᷓ > quan
B ꝙ̄ > quen
A, B, V ā, ē, ī, ō, ū, n̄ > an, en, in, on, un, nn
B, V > me
Tab. 9: Abreviaturas comn significado próprioAbbreviations with independent meaning
AbreviaturaAbbreviation Manuscrito(s)Manuscript(s) InterpretaçãoInterpretación e exemplosMeaning and examples
A, B, V > os / us
A, B, V > e
B > con
B ꝯᷓ > contra
A, B, V > zer | > uer
Tab. 10: Abreviaturas por letras sobrescritasAbbreviations by superscript letters
AbreviaturaAbbreviation Manuscrito(s)Manuscript(s) InterpretaçãoInterpretación e exemplosMeaning and examples
B > pra
A, B, V q > qui
B > tro
B, V pᷣ > por
B, V gᷓ > guar
A gᷓn > gran

Deve-se advertir de que a escrita romance faz uma adaptação das abreviaturas latinas e que portanto estas podem adquirir novos significados. Por exemplo, em lugar de desenvolver a abreviatura ‹⁊› como ‹et›, esta será resolvida sistematicamente com a forma romance que tinha a conjunção copulativa no período que nos ocupa, ou seja, ‹e›. As infrequentes ocorrências de ‹et› detetadas no corpus serão consideradas na fase analítica uma mera inércia gráfica latinizante (Montero Santalha 2004: 8), um arcaísmo gráfico seguramente motivado pela expansão de uma abreviatura presente no modelo sob a forma latinizante.

No que respeita às abreviaturas, talvez o caso mais polémico seja protagonizado pelas particularidades de ‹›. Como sabemos, em latim essa abreviatura tinha sempre o valor de ‹us›, valor que conserva quando é utilizada, por exemplo, para abreviar o pronome possessivo meus. Porém, nos romances peninsulares esta abreviatura possui habitualmente o valor de ‹os› e há casos em que pode surgir certa ambiguidade na hora de expandi-la. Decidimos resolver a representação do pronome pessoal P5 ‹u› sistematicamente como ‹uos›, tanto em A como nos apógrafos italianos, apesar de que em A (e muito ocasionalmente em B) se documentar a forma plena tanto com ‹o› como com ‹u›. Por uma parte, consideramos que atrás de muitas das formas em ‹us› é muito provável que haja a expansão de uma abreviatura presente no modelo da cópia. Por outro lado, contamos com o aval da investigadora C. de Azevedo Maia, quem considera que a representação de /o/ como ‹u› é uma mera prática escritural, mais estendida na Galiza do que no Norte de Portugal (Maia 1986: 392), pelo que a escolha de uma solução sobre outra ficaria igualmente no plano gráfico. No entanto, é preciso mentar os estudos que defendem que, no mínimo em A, a lectura desenvolvida de u9 debe ser uus (Varela Barreiro & Mariño Paz 2005: 374). Assim, estudos como o de Souto Cabo (2008b: 166) sustentam que este uso gráfico de ‹u› tem uma forte tradição tanto na Galiza como além do Minho, e que deve relacionar-se com um fenómeno linguístico, pois esta tendência gráfica teria a ver com o facto de a vogal ser percebida como claramente fechada em certos contextos, pelo que este maior fechamento fica representado graficamente através do uso de ‹u›.

RepresentaçãoRepresentación da nasalidadeGraphic representation of nasalization

Tal e como exprime Pichel Gotérrez, a lineta desempenha diferentes funções que se devem distinguir: (1) valor único de marca de resonancia nasal vocálica, (2) carácter anfibolóxico do trazo superior e (3) carácter polivalente do trazo superior (Pichel Gotérrez 2012: 89).

Consequentemente, no que respeita ao desenvolvimento da abreviatura geral, nesta edição distingue-se entre a abreviatura de consoante nasal, que, no caso de ser desenvolvida, aparecerá transcrita como a consoante ‹n›, e o til de nasalidade ‹~›, sendo este grafado sobre a vogal correspondente, isto é, limitando-o à vogal fonologicamente nasal quando abranger duas, ou deslocando-o para a vogal correspondente quando aparecer sobre outro elemento. Portanto, e apesar de nos manuscritos estes diferentes valores não se distinguirem graficamente, assim aparece recolhido no elemento <abbr>, o desenvolvimento de abreviaturas sim diferencia ao resolver mūdo como ‹mundo›, mas hūa como ‹ha›.No que respecta ao desenvolvemento da abreviatura xeral, nesta edición distínguese entre a abreviatura de consoante nasal, que, no caso de ser desenvolvida, aparecerá transcrita como a consoante ‹n›, e o til de nasalidade ‹~›, sendo este grafado sobre a vogal correspondente, isto é, limitándoo á vogal fonoloxicamente nasal cando abranxe dúas, ou deslocándoo para a vogal correspondente cando aparece sobre outro elemento. Por tanto, e apesar de que nos manuscritos non se distinguen graficamente estes diferentes valores, e así aparece recollido no elemento <abbr>, o desenvolvemento de abreviaturas si fai a diferencia ao resolver mūdo como ‹mundo›, mais hūa como ‹ha›.The general suspension mark, when expanded, will appear as the nasal consonant ‹n›, or as the tilde ‹~› depending on its meaning (even if the witnesses use the same mark for both meanings as preserved in the <abbr> element. Hence, forms like mūdo are expanded as ‹mundo›, but examples like hūa will appear expanded as ‹ha›.

A abreviatura de nasal implosiva desenvolverá-se sempre como ‹n›, tanto antes de ‹p› e ‹b› como em posição de final de palavra, apesar de ‹m› também ser uma solução possível nestes contextos, especialmente nos apógrafos italianos (em A existe alguma ocorrência de ‹m› em posição final de palavra, mas é um fenómeno ocasional, praticamente inexistente). Nos apógrafos italianos, deteta-se uma maior frequência desta grafia em posição final, mas também não existe uma sistematicidade de uso.

Também não é regular a utilização de ‹m› antes de ‹p› e ‹b› em qualquer dos testemunhos analisados. Portanto, ante inexistência de uma prática escritural metódica em que a alternância de ‹n› e ‹m› fosse completamente predizível, consideramos que a homogeneização que supõe desenvolver a abreviatura da nasal em posição implosiva como ‹n› é um critério válido para lidar com uma tradição ortográfica ainda não consolidada.

Correções no originalCorreccións no orixinalScribal corrections

Durante a etapa de enriquecimento da edição com informação analítica inclui-se, quando possível, a identificação da pessoa responsável pela correção através do @hand (mão).Durante a etapa de enriquecemento da edición com información analítica inclúese, cando é posíbel, a identificación da persoa responsábel da corrección a través do atributo @hand (mão).When possible, the agent responsible for the correction will be identified in the attribute @hand.

Estruturação da ediçãoEstruturación da edición Edition layout

A característica que define uma edição sinóptica é a sua disposição tabular através da qual se pode realizar uma collatio, sendo possível o acréscimo de informação interpretativa através de mecanismos visuais. A característica que define unha edición sinóptica é a súa disposición tabular a través da cal se pode realizar unha collatio, sendo posíbel engadir información interpretativa através de mecanismos visuais.The defining feature of a synoptic edition is its table-like layout that eases the comparison between witnesses. In addition, analytic information may be embedded through visual enhancements.

Uma das principais vantagens do suporte XML e tecnologias afins é a sua recursividade, graças à qual podemos criar diferentes maneiras de visualizar e analisar os nossos dados partindo dos mesmos ficheiros XML. Assim, a nossa edição sinóptica materializa-se sob duas formas diferentes.

Uma delas consiste na apresentação, lado a lado, das diferentes versões da cantiga seguindo as regularizações que indicamos nos pontos precedentes. Esta visualização (ver Figura 1 com um trecho de A1, B91) permite realizar uma leitura eficaz dos textos, percebendo as diferenças entre os testemunhos. Todas as variantes textuais se apresentam visualmente diferenciadas, o que avisa o leitor de que poderá clicar sobre a forma para obter a informação sobre a sua tipologia.

Fig. 1: EdiçãoEdición sinóptica: modelo de texto confrontadoSynoptic edition: parallel layout

Para uma plasmação mais pormenorizada das variantes, dá-se a possibilidade de aceder a uma edição interlinear com uma disposição tabular. Cada uma das palavras e signos aparecem alinhados facilitando a comparação (ver Figura x com o mesmo trecho apresentado na Figura 2). Da mesma forma que na visualização anterior, oferece-se a informação relativa à categorização das diferentes variantes textuais.

Fig. 2: EdiçãoEdición sinóptica: modelo tabularSynoptic edition: tabular layout

Como podemos observar nas capturas utilizadas para exemplificar o modelo estrutural da edição (Figuras 1 e 2), para facilitar o contraste das formas realizou-se uma intervenção editorial através da qual as cantigas foram divididas em versos. Nesta tradição, as linhas em que se dispõe o texto no testemunho não têm sempre uma correspondência exata com o verso, sendo o caso mais notável a primeira cobra de A, transcrita de cor devido à previsão de uma anotação musical interlinear que nunca chegou a materializar-se. Portanto, nesta edição utiliza-se o verso como unidade estrutural sem especificar a sua correspondência com as linhas (e saltos de linhas) dos testemunhos.

Apesar de termos afirmado que a edição sinóptica constitui a melhor tipologia ecdótica para o estudo da variação textual, não se encontrou uma solução que lidasse de maneira completamente satisfatória com a problemática das transposições. Felizmente as transposições presentes no corpus objeto de estudo consistem em uma organização diferente das cobras ou afetam à ordem de palavras dentro do mesmo verso, pelo que se pode realizar o contraste do conteúdo sem alterar a organização lógica do texto.

Se as diferenças na distribuição das cobras respondem a um erro de cópia, a collatio faz-se corrigindo a ordem e anotando convenientemente esta intervenção (como ocorre na edição de A258/B435/V47 em que B435 apresenta a segunda e terceira cobra ordenadas incorretamente). Nos casos em que a variação na colocação das estrofes for característica de cada uma das ramas da tradição (como no caso de A301/B993/V581 em que a ordem de A não coincide com a de BV mas ambas as leituras são coerentes), escolheu-se uma das lições. No entanto o utilizador da edição sinóptica pode alterar a ordem inicial arrastando as cobras e colocando-as nas diferentes posições transmitidas pela tradição. Dá-se assim a possibilidade de gerar dinamicamente uma dupla edição.

A marcação dos textos é realizada aplicando o método de segmentação em paralelo da TEI. Este módulo permite diferenciar claramente o texto em comum das variantes existentes entre os manuscritos de uma maneira legível e fácil de manipular tanto para o humano como para a máquina (ver Figura 3).

A edição de cada texto inicia-se com um bloco de metadados que inclui a referência de cada cantiga nos diferentes manuscritos em que é conservada, o autor e o período de atividade deste, a localização do texto no testemunho –indicando apenas o número do fólio ou fólios– e o copista. Os períodos e a cronologia dos autores foram estabelecidos extraindo a informação pertinente da Base de datos da Lírica Profana Galego-Portuguesa (MedDB) ou, de ser o caso, de estudos históricos especializados.

As localizações das cantigas nos diferentes testemunhos elaboraram-se consultando as edições facsimilares. Para a identificação e descrição das mãos do Cancioneiro da Ajuda utilizamos Ramos (1994, 2008, 2009) e Fernández Guiadanes 2010, e para as revisões e correções deste testemunho Pedro (2004) e Arbor Aldea (2009a, 2016a). Seguiu-se Ferrari (1979, 1993a, 1993b) para a rama italiana da tradição.

Toda esta informação relativa à mão responsável de cada um dos textos e à localização destes nos testemunhos é fundamental para podermos identificar a possível influência de um copista sobre determinadas variantes e para podermos contrastar possíveis estratos na compilação de materiais para a conformação dos cancioneiros (cfr. Monteagudo 2015).

CategorizaçãoCategorización das variantes textuaisVariant categorization

Para incorporar a informação sobre as variantes textuais utilizamos o módulo da estrutura de traçosThe TEI module of feature structures was implemented to introduce information about textual variants Para incorporar a información sobre as variantes textuais utilizamos o módulo da estrutura de trazos (2016b). Com esta organização dos dados, elaboramos um inventário de fenómenos de variação que definimos através da soma de traços mínimos com diferentes níveis de precisão.Con esta organización dos datos, elaboramos um inventario de fenómenos de variación que definimos a partir da suma de trazos mínimos creando diferentes niveis de precisión.Within this data structure, a taxonomy of variation phenomena was developed. Each type of variant is described as the sum of multiple small features with different levels of granularity.

As categorias mais abrangentes em que dividimos as variantes textuais são: variantes de língua, erros de cópia, variantes de leitura, variantes gráficas e diferenças provocadas pelas condições materiais (omissões causadas por danos no suporte, por exemplo).As categorías máis abranxentes en que dividimos as variantes textuais son: variantes de lingua, erros de copia, variantes de lectura, variantes gráficas e diferenzas provocadas polas condicións materiais (omisións causadas por danos no soporte, por exemplo).The most comprehensive categories created to describe textual variants are: linguistic variants, scribal erros, divergent readings, graphic variantes and differences due to the physical condition of the witness (e.g. a gap caused by some damage in the support).

Cada uma destas categorias genéricas inclui múltiplas subcategorias possíveis que permitem chegar ao nível de concreção desejado. Tendo em conta a diversidade dos nossos interesses, as variantes de língua incluem mais traços definitórios que as outras tipologias. A modo de exemplo, a distribuição mi / min é categorizada através dos seguintes traços:
variante de língua > fenómeno fonético-fonológico > consonantismo > nasalização > nasalização progressiva
Cada unha destas categorías xenéricas inclúe múltiples subcategorías posíbeis que permitem chegar ao nivel de concreción desexado. Tendo en conta os obexectivos deste proxecto, as variantes de língua inclúen máis trazos definitorios que as outras tipoloxías. A modo de exemplo, a distribución mi / min é categorizada a través dos seguintes trazos:
variante de lingua > fenómeno fonético-fonolóxico > consonantismo > nasalización > nasalização progresiva
Each one of this generic categories includes multiple subcategories that enable to describe a phenomenon with the desired level of precision. Considering the goals of this project, linguistic variants include more defining features than the other types. As an example, the distribution mi / min is categorised with the following features:
linguistic variant > phonetic-phonologic phenomenos > consonantic system > nasalization > progressive nasalization

No que respeita aos erros de cópia, contamos com uma categoria genérica e as subcategorias com que se completa a informação procuram a identificação daqueles fenómenos que estiverem relacionados com o modelo do testemunho (entre estes, erros na interpretação de certas grafias que aportam informação a respeito da escrita do antecedente), assim como os erros cuja motivação seja de teor linguístico.

PublicaçãoPublicaciónPublication

Durante o processo de transformação de XML para HTML aplicam-se certas convenções gráficas para que a edição digital não perca toda a informação que está codificada nos ficheiros XML. Por exemplo, as letras de espera, que no XML são identificadas graças ao elemento <hi> e um atributo, surgem entre os signos ‹⟨ ⟩› na versão HTML.Durante o proceso de transformación de XML para HTML aplícanse certas convencións gráficas para que a edición dixital non perda toda a información que está codificada nos ficheiros XML. Por exemplo, as letras de espera, que no XML son identificadas grazas ao elemento <hi> e un atributo, aparecen identificadas entre os signos ‹⟨ ⟩› na versión HTML.During the transformation from XML to HTML certain graphical conventions are added so as translate some of the information encoded in the XML. For instance, guide letters, identified in the XML thanks to the element <hi> and an attribute, are presented between ‹⟨ ⟩› in the HTML version.

Utilizam-se as múltiplas camadas de informação que conformam a taxonomia para materializar tipograficamente a categorização de variantes: as variantes gráficas estão em negrito, as linguísticas de cor anil, os erros em vermelho, as lições divergentes sublinhadas e as variantes devidas a acidentes materiais de cor laranja (ver a legenda inicial da edição na Figura 3)Utilízanse as múltiples capas de información que conforman a taxonomía para materializar tipograficamente a categorización de variantes: as variantes gráficas están en negriña, as lingüísticas de cor anil, os erros en vermello, as leccións diverxentes subliñadas e as variantes debidas a accidentes materiais de cor laranxaThe different layers of information that make up the variant taxonomy are used to tipographically realise the different categories: graphic variants are bold, linguistic variants are indigo, scribal errors are red, divergent readings are underlined and variants caused by material accidents are orange.

Fig. 3: Interface para a seleção de critérios de ediçãoInterface for the selection od editorial criteriaInterface para a selección de criterios de edición

Além disso, se se clicar sobre cada uma desta formas, pode-se aceder à descrição específica de cada fenómeno.Ademais, de clicarse sobre cada unha desta formas, pódese acceder á descrição específica de cada fenómeno.In addition, by clicking one of this forms, the user may access the specific description of each phenomenon.

Fig. 4a: Exemplo variante de língualingua Linguistic variant example
Fig. 4b: Exemplo erro de cópiacopiaScribal error example
Fig. 4: Excerto de edição com exemplos de diálogos emergentesFragmento da edición con exemplos de diálogos emerxentesExample of the tooltips available in the edition

Como se pode observar na Figura 3, o leitor ou leitora tem a possibilidade de mudar alguns dos critérios de edição à vontade. Aproveita-se desta maneira a codificação simultânea através da qual se combinavam duas soluções diferentes para o mesmo fenómeno.

Por exemplo, quem utilizar esta base de dados pode escolher livremente que critério relativo às abreviaturas aplicar na sua visualização. As Figuras 5 e 6 mostram o mesmo trecho da edição de B100. Numa das capturas apresentam-se os signos de abreviatura e na outra o desenvolvimentos destas (com os caracteres acrescentados em itálico).

Fig. 5: Excerto com os signos de abreviaçãoFragmento cos sinais de abreviaturaSnippet of the edition with the abbreviation marks
Fig. 6: Excerto com desenvolvimento de abreviaturasFragmento co desenvolvemento de abreviaturasExcerpt with the expansion of abbreviations

No que respeita às correções, o utilizador também pode escolher como visualizar estas intervenções. O critério mais conservador apresenta os cancelamentos entre parênteses e em cor vermelha. Além disso, reproduz-se o tipo de cancelamento imitando o testemunho, pelo que se usa um ponto inferior em combinação, uma redução da nitidez no caso de raspaduras, um riscado simples ou um riscado múltiplo dependendo da lição do manuscrito. Da mesma maneira, as adições, apresentadas em verde, seguem a seguinte convenção para informar da localização do texto acrescentado:Convencións gráficas para definir os tipos de adicións:Graphical conventions in the published version to describe the additions:

O critério menos conservador esconde os cancelamentos e mostra as adições sem qualquer diferenciação tipográfica.

Apresentamos de seguida uma listagem que inclui as convenções gráficas utilizadas na edição digital para representar os diferentes tipos de lacunas que se definiam no XML/TEI. No caso dos trechos ilegíveis em que se percebe o número de caracteres que conformam a lacuna, introduz-se um asterisco, ‹*›, por cada carácter.Convencións gráficas que definen as omisións: Graphical conventions that define the types of gaps:

No que se refere à aglutinação ou deglutinação de elementos segundo conformem unidades léxicas, também se combinaram diferentes níveis de intervenção editorial. A representação mais fiel aos testemunhos faz a segmentação em unidades léxicas com as seguintes exceçõesNo que se refire á aglutinación ou deglutinación de elementos segundo conformen unidades léxicas, tamén se combinaron diferentes niveis de intervención editorial. A representación máis fiel aos testemuños fai a segmentación en unidades léxicas coas seguintes excepciónsRegarding the segmentation of words, there was, as well, the combination of different levels of editorial intervention. The most conservative criterion implements a lexical segmentation with the following exceptions:

A representação mais intrusiva no que respeita à distribuição das palavras introduz as seguintes convenções gráficas:A representación máis intrusiva no que respecta á distribución das palabras introduce as seguintes convencións gráficas:The most intrusive criterion in regards to word segmentation introduces the following graphical conventions:

Vejam-se as figuras 7 e 8 nas quais se apresenta um trecho da edição de A144 com diferentes critérios.

Fig. 7: Excerto de edição que apresenta critérios semi-diplomáticosFragmento da edición con criterios semidiplomáticosSnippet of edition with semi-diplomatic criteria
Fig. 8: Excerto de edição com maior grau de intervenção editorialFragmento de edición con maior grao de intervenciónExcerpt with highest level of editorial intervention

Para aceder à edição das cantigas, habilitou-se uma pesquisa por autor em que se podem selecionar vários trovadores simultaneamente e, dentro desta escolha, procurar automaticamente todas as suas cantigas ou selecionar textos específicos (ver Figura 9). A segunda possibilidade de pesquisa apresenta o corpus ordenado por testemunho e copista.

Fig. 9: Interface para a seleção de cantigas segundo a autoriapara a selección de cantigas segundo a autoríafor the selection of cantigas by author